A BÍBLIA EM 1 ANO
– 23 de Maio –
Jó 1-3
Jó 1
1 Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal.
2 Nasceram-lhe sete filhos e três filhas.
3 Possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; era também mui numeroso o pessoal ao seu serviço, de maneira que este homem era o maior de todos os do Oriente.
4 Seus filhos iam às casas uns dos outros e faziam banquetes, cada um por sua vez, e mandavam convidar as suas três irmãs a comerem e beberem com eles.
5 Decorrido o turno de dias de seus banquetes, chamava Jó a seus filhos e os santificava; levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles, pois dizia: Talvez tenham pecado os meus filhos e blasfemado contra Deus em seu coração. Assim o fazia Jó continuamente.
6 Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor , veio também Satanás entre eles.
7 Então, perguntou o Senhor a Satanás: Donde vens? Satanás respondeu ao Senhor e disse: De rodear a terra e passear por ela.
8 Perguntou ainda o Senhor a Satanás: Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal.
9 Então, respondeu Satanás ao Senhor : Porventura, Jó debalde teme a Deus?
10 Acaso, não o cercaste com sebe, a ele, a sua casa e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste, e os seus bens se multiplicaram na terra.
11 Estende, porém, a mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face.
12 Disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está em teu poder; somente contra ele não estendas a mão. E Satanás saiu da presença do Senhor .
13 Sucedeu um dia, em que seus filhos e suas filhas comiam e bebiam vinho na casa do irmão primogênito,
14 que veio um mensageiro a Jó e lhe disse: Os bois lavravam, e as jumentas pasciam junto a eles;
15 de repente, deram sobre eles os sabeus, e os levaram, e mataram aos servos a fio de espada; só eu escapei, para trazer-te a nova.
16 Falava este ainda quando veio outro e disse: Fogo de Deus caiu do céu, e queimou as ovelhas e os servos, e os consumiu; só eu escapei, para trazer-te a nova.
17 Falava este ainda quando veio outro e disse: Dividiram-se os caldeus em três bandos, deram sobre os camelos, os levaram e mataram aos servos a fio de espada; só eu escapei, para trazer-te a nova.
18 Também este falava ainda quando veio outro e disse: Estando teus filhos e tuas filhas comendo e bebendo vinho, em casa do irmão primogênito,
19 eis que se levantou grande vento do lado do deserto e deu nos quatro cantos da casa, a qual caiu sobre eles, e morreram; só eu escapei, para trazer-te a nova.
20 Então, Jó se levantou, rasgou o seu manto, rapou a cabeça e lançou-se em terra e adorou;
21 e disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor !
22 Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma.
Jó 2
1 Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor , veio também Satanás entre eles apresentar-se perante o Senhor .
2 Então, o Senhor disse a Satanás: Donde vens? Respondeu Satanás ao Senhor e disse: De rodear a terra e passear por ela.
3 Perguntou o Senhor a Satanás: Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal. Ele conserva a sua integridade, embora me incitasses contra ele, para o consumir sem causa.
4 Então, Satanás respondeu ao Senhor : Pele por pele, e tudo quanto o homem tem dará pela sua vida.
5 Estende, porém, a mão, toca-lhe nos ossos e na carne e verás se não blasfema contra ti na tua face.
6 Disse o Senhor a Satanás: Eis que ele está em teu poder; mas poupa-lhe a vida.
7 Então, saiu Satanás da presença do Senhor e feriu a Jó de tumores malignos, desde a planta do pé até ao alto da cabeça.
8 Jó, sentado em cinza, tomou um caco para com ele raspar-se.
9 Então, sua mulher lhe disse: Ainda conservas a tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre.
10 Mas ele lhe respondeu: Falas como qualquer doida; temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios.
11 Ouvindo, pois, três amigos de Jó todo este mal que lhe sobreviera, chegaram, cada um do seu lugar: Elifaz, o temanita, Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita; e combinaram ir juntamente condoer-se dele e consolá-lo.
12 Levantando eles de longe os olhos e não o reconhecendo, ergueram a voz e choraram; e cada um, rasgando o seu manto, lançava pó ao ar sobre a cabeça.
13 Sentaram-se com ele na terra, sete dias e sete noites; e nenhum lhe dizia palavra alguma, pois viam que a dor era muito grande.
Jó 3
1 Depois disto, passou Jó a falar e amaldiçoou o seu dia natalício.
2 Disse Jó:
3 Pereça o dia em que nasci e a noite em que se disse: Foi concebido um homem!
4 Converta-se aquele dia em trevas; e Deus, lá de cima, não tenha cuidado dele, nem resplandeça sobre ele a luz.
5 Reclamem-no as trevas e a sombra de morte; habitem sobre ele nuvens; espante-o tudo o que pode enegrecer o dia.
6 Aquela noite, que dela se apoderem densas trevas; não se regozije ela entre os dias do ano, não entre na conta dos meses.
7 Seja estéril aquela noite, e dela sejam banidos os sons de júbilo.
8 Amaldiçoem-na aqueles que sabem amaldiçoar o dia e sabem excitar o monstro marinho.
9 Escureçam-se as estrelas do crepúsculo matutino dessa noite; que ela espere a luz, e a luz não venha; que não veja as pálpebras dos olhos da alva,
10 pois não fechou as portas do ventre de minha mãe, nem escondeu dos meus olhos o sofrimento.
11 Por que não morri eu na madre? Por que não expirei ao sair dela?
12 Por que houve regaço que me acolhesse? E por que peitos, para que eu mamasse?
13 Porque já agora repousaria tranquilo; dormiria, e, então, haveria para mim descanso,
14 com os reis e conselheiros da terra que para si edificaram mausoléus;
15 ou com os príncipes que tinham ouro e encheram de prata as suas casas;
16 ou, como aborto oculto, eu não existiria, como crianças que nunca viram a luz.
17 Ali, os maus cessam de perturbar, e, ali, repousam os cansados.
18 Ali, os presos juntamente repousam e não ouvem a voz do feitor.
19 Ali, está tanto o pequeno como o grande e o servo livre de seu senhor.
20 Por que se concede luz ao miserável e vida aos amargurados de ânimo,
21 que esperam a morte, e ela não vem? Eles cavam em procura dela mais do que tesouros ocultos.
22 Eles se regozijariam por um túmulo e exultariam se achassem a sepultura.
23 Por que se concede luz ao homem, cujo caminho é oculto, e a quem Deus cercou de todos os lados?
24 Por que em vez do meu pão me vêm gemidos, e os meus lamentos se derramam como água?
25 Aquilo que temo me sobrevém, e o que receio me acontece.
26 Não tenho descanso, nem sossego, nem repouso, e já me vem grande perturbação.
