A BÍBLIA EM 1 ANO
– 2 de Junho –
Jó 31-33
Jó 31
1 Fiz aliança com meus olhos; como, pois, os fixaria eu numa donzela?
2 Que porção, pois, teria eu do Deus lá de cima e que herança, do Todo-Poderoso desde as alturas?
3 Acaso, não é a perdição para o iníquo, e o infortúnio, para os que praticam a maldade?
4 Ou não vê Deus os meus caminhos e não conta todos os meus passos?
5 Se andei com falsidade, e se o meu pé se apressou para o engano
6 (pese-me Deus em balanças fiéis e conhecerá a minha integridade);
7 se os meus passos se desviaram do caminho, e se o meu coração segue os meus olhos, e se às minhas mãos se apegou qualquer mancha,
8 então, semeie eu, e outro coma, e sejam arrancados os renovos do meu campo.
9 Se o meu coração se deixou seduzir por causa de mulher, se andei à espreita à porta do meu próximo,
10 então, moa minha mulher para outro, e outros se encurvem sobre ela.
11 Pois seria isso um crime hediondo, delito à punição de juízes;
12 pois seria fogo que consome até à destruição e desarraigaria toda a minha renda.
13 Se desprezei o direito do meu servo ou da minha serva, quando eles contendiam comigo,
14 então, que faria eu quando Deus se levantasse? E, inquirindo ele a causa, que lhe responderia eu?
15 Aquele que me formou no ventre materno não os fez também a eles? Ou não é o mesmo que nos formou na madre?
16 Se retive o que os pobres desejavam ou fiz desfalecer os olhos da viúva;
17 ou, se sozinho comi o meu bocado, e o órfão dele não participou
18 (Porque desde a minha mocidade cresceu comigo como se eu lhe fora o pai, e desde o ventre da minha mãe fui o guia da viúva.);
19 se a alguém vi perecer por falta de roupa e ao necessitado, por não ter coberta;
20 se os seus lombos não me abençoaram, se ele não se aquentava com a lã dos meus cordeiros;
21 se eu levantei a mão contra o órfão, por me ver apoiado pelos juízes da porta,
22 então, caia a omoplata do meu ombro, e seja arrancado o meu braço da articulação.
23 Porque o castigo de Deus seria para mim um assombro, e eu não poderia enfrentar a sua majestade.
24 Se no ouro pus a minha esperança ou disse ao ouro fino: em ti confio;
25 se me alegrei por serem grandes os meus bens e por ter a minha mão alcançado muito;
26 se olhei para o sol, quando resplandecia, ou para a lua, que caminhava esplendente,
27 e o meu coração se deixou enganar em oculto, e beijos lhes atirei com a mão,
28 também isto seria delito à punição de juízes; pois assim negaria eu ao Deus lá de cima.
29 Se me alegrei da desgraça do que me tem ódio e se exultei quando o mal o atingiu
30 (Também não deixei pecar a minha boca, pedindo com imprecações a sua morte.);
31 se a gente da minha tenda não disse: Ah! Quem haverá aí que não se saciou de carne provida por ele
32 (O estrangeiro não pernoitava na rua; as minhas portas abria ao viandante.)!
33 Se, como Adão, encobri as minhas transgressões, ocultando o meu delito no meu seio;
34 porque eu temia a grande multidão, e o desprezo das famílias me apavorava, de sorte que me calei e não saí da porta.
35 Tomara eu tivesse quem me ouvisse! Eis aqui a minha defesa assinada! Que o Todo-Poderoso me responda! Que o meu adversário escreva a sua acusação!
36 Por certo que a levaria sobre o meu ombro, atá-la-ia sobre mim como coroa;
37 mostrar-lhe-ia o número dos meus passos; como príncipe me chegaria a ele.
38 Se a minha terra clamar contra mim, e se os seus sulcos juntamente chorarem;
39 se comi os seus frutos sem tê-la pago devidamente e causei a morte aos seus donos,
40 por trigo me produza cardos, e por cevada, joio. Fim das palavras de Jó.
Jó 32
1 Cessaram aqueles três homens de responder a Jó no tocante ao se ter ele por justo aos seus próprios olhos.
2 Então, se acendeu a ira de Eliú, filho de Baraquel, o buzita, da família de Rão; acendeu-se a sua ira contra Jó, porque este pretendia ser mais justo do que Deus.
3 Também a sua ira se acendeu contra os três amigos, porque, mesmo não achando eles o que responder, condenavam a Jó.
4 Eliú, porém, esperara para falar a Jó, pois eram de mais idade do que ele.
5 Vendo Eliú que já não havia resposta na boca daqueles três homens, a sua ira se acendeu.
6 Disse Eliú, filho de Baraquel, o buzita: Eu sou de menos idade, e vós sois idosos; arreceei-me e temi de vos declarar a minha opinião.
7 Dizia eu: Falem os dias, e a multidão dos anos ensine a sabedoria.
8 Na verdade, há um espírito no homem, e o sopro do Todo-Poderoso o faz sábio.
9 Os de mais idade não é que são os sábios, nem os velhos, os que entendem o que é reto.
10 Pelo que digo: dai-me ouvidos, e também eu declararei a minha opinião.
11 Eis que aguardei as vossas palavras e dei ouvidos às vossas considerações, enquanto, quem sabe, buscáveis o que dizer.
12 Atentando, pois, para vós outros, eis que nenhum de vós houve que refutasse a Jó, nem que respondesse às suas razões.
13 Não vos desculpeis, pois, dizendo: Achamos sabedoria nele; Deus pode vencê-lo, e não o homem.
14 Ora, ele não me dirigiu palavra alguma, nem eu lhe retorquirei com as vossas palavras.
15 Jó, os três estão pasmados, já não respondem, faltam-lhes as palavras.
16 Acaso, devo esperar, pois não falam, estão parados e nada mais respondem?
17 Também eu concorrerei com a minha resposta; declararei a minha opinião.
18 Porque tenho muito que falar, e o meu espírito me constrange.
19 Eis que dentro de mim sou como o vinho, sem respiradouro, como odres novos, prestes a arrebentar-se.
20 Permiti, pois, que eu fale para desafogar-me; abrirei os lábios e responderei.
21 Não farei acepção de pessoas, nem usarei de lisonjas com o homem.
22 Porque não sei lisonjear; em caso contrário, em breve me levaria o meu Criador.
Jó 33
1 Ouve, pois, Jó, as minhas razões e dá ouvidos a todas as minhas palavras.
2 Passo agora a falar, em minha boca fala a língua.
3 As minhas razões provam a sinceridade do meu coração, e os meus lábios proferem o puro saber.
4 O Espírito de Deus me fez, e o sopro do Todo-Poderoso me dá vida.
5 Se podes, contesta-me, dispõe bem as tuas razões perante mim e apresenta-te.
6 Eis que diante de Deus sou como tu és; também eu sou formado do barro.
7 Por isso, não te inspiro terror, nem será pesada sobre ti a minha mão.
8 Na verdade, falaste perante mim, e eu ouvi o som das tuas palavras:
9 Estou limpo, sem transgressão; puro sou e não tenho iniquidade.
10 Eis que Deus procura pretextos contra mim e me considera como seu inimigo.
11 Põe no tronco os meus pés e observa todas as minhas veredas.
12 Nisto não tens razão, eu te respondo; porque Deus é maior do que o homem.
13 Por que contendes com ele, afirmando que não te dá contas de nenhum dos seus atos?
14 Pelo contrário, Deus fala de um modo, sim, de dois modos, mas o homem não atenta para isso.
15 Em sonho ou em visão de noite, quando cai sono profundo sobre os homens, quando adormecem na cama,
16 então, lhes abre os ouvidos e lhes sela a sua instrução,
17 para apartar o homem do seu desígnio e livrá-lo da soberba;
18 para guardar a sua alma da cova e a sua vida de passar pela espada.
19 Também no seu leito é castigado com dores, com incessante contenda nos seus ossos;
20 de modo que a sua vida abomina o pão, e a sua alma, a comida apetecível.
21 A sua carne, que se via, agora desaparece, e os seus ossos, que não se viam, agora se descobrem.
22 A sua alma se vai chegando à cova, e a sua vida, aos portadores da morte.
23 Se com ele houver um anjo intercessor, um dos milhares, para declarar ao homem o que lhe convém,
24 então, Deus terá misericórdia dele e dirá ao anjo: Redime-o, para que não desça à cova; achei resgate.
25 Sua carne se robustecerá com o vigor da sua infância, e ele tornará aos dias da sua juventude.
26 Deveras orará a Deus, que lhe será propício; ele, com júbilo, verá a face de Deus, e este lhe restituirá a sua justiça.
27 Cantará diante dos homens e dirá: Pequei, perverti o direito e não fui punido segundo merecia.
28 Deus redimiu a minha alma de ir para a cova; e a minha vida verá a luz.
29 Eis que tudo isto é obra de Deus, duas e três vezes para com o homem,
30 para reconduzir da cova a sua alma e o alumiar com a luz dos viventes.
31 Escuta, pois, ó Jó, ouve-me; cala-te, e eu falarei.
32 Se tens alguma coisa que dizer, responde-me; fala, porque desejo justificar-te.
33 Se não, escuta-me; cala-te, e ensinar-te-ei a sabedoria.
