A BÍBLIA EM 1 ANO
– 26 de Junho –
Salmos 101-115
Salmos 101
1 Cantarei a bondade e a justiça; a ti, Senhor, cantarei.
2 Atentarei sabiamente ao caminho da perfeição. Oh! Quando virás ter comigo? Portas a dentro, em minha casa, terei coração sincero.
3 Não porei coisa injusta diante dos meus olhos; aborreço o proceder dos que se desviam; nada disto se me pegará.
4 Longe de mim o coração perverso; não quero conhecer o mal.
5 Ao que às ocultas calunia o próximo, a esse destruirei; o que tem olhar altivo e coração soberbo, não o suportarei.
6 Os meus olhos procurarão os fiéis da terra, para que habitem comigo; o que anda em reto caminho, esse me servirá.
7 Não há de ficar em minha casa o que usa de fraude; o que profere mentiras não permanecerá ante os meus olhos.
8 Manhã após manhã, destruirei todos os ímpios da terra, para limpar a cidade do Senhor dos que praticam a iniquidade.
Salmos 102
1 Ouve, Senhor, a minha súplica, e cheguem a ti os meus clamores.
2 Não me ocultes o rosto no dia da minha angústia; inclina-me os ouvidos; no dia em que eu clamar, dá-te pressa em acudir-me.
3 Porque os meus dias, como fumaça, se desvanecem, e os meus ossos ardem como em fornalha.
4 Ferido como a erva, secou-se o meu coração; até me esqueço de comer o meu pão.
5 Os meus ossos já se apegam à pele, por causa do meu dolorido gemer.
6 Sou como o pelicano no deserto, como a coruja das ruínas.
7 Não durmo e sou como o passarinho solitário nos telhados.
8 Os meus inimigos me insultam a toda hora; furiosos contra mim, praguejam com o meu próprio nome.
9 Por pão tenho comido cinza e misturado com lágrimas a minha bebida,
10 por causa da tua indignação e da tua ira, porque me elevaste e depois me abateste.
11 Como a sombra que declina, assim os meus dias, e eu me vou secando como a relva.
12 Tu, porém, Senhor, permaneces para sempre, e a memória do teu nome, de geração em geração.
13 Levantar-te-ás e terás piedade de Sião; é tempo de te compadeceres dela, e já é vinda a sua hora;
14 porque os teus servos amam até as pedras de Sião e se condoem do seu pó.
15 Todas as nações temerão o nome do Senhor, e todos os reis da terra, a sua glória;
16 porque o Senhor edificou a Sião, apareceu na sua glória,
17 atendeu à oração do desamparado e não lhe desdenhou as preces.
18 Ficará isto registrado para a geração futura, e um povo, que há de ser criado, louvará ao Senhor;
19 que o Senhor, do alto do seu santuário, desde os céus, baixou vistas à terra,
20 para ouvir o gemido dos cativos e libertar os condenados à morte,
21 a fim de que seja anunciado em Sião o nome do Senhor e o seu louvor, em Jerusalém,
22 quando se reunirem os povos e os reinos, para servirem ao Senhor.
23 Ele me abateu a força no caminho e me abreviou os dias.
24 Dizia eu: Deus meu, não me leves na metade de minha vida; tu, cujos anos se estendem por todas as gerações.
25 Em tempos remotos, lançaste os fundamentos da terra; e os céus são obra das tuas mãos.
26 Eles perecerão, mas tu permaneces; todos eles envelhecerão como uma veste, como roupa os mudarás, e serão mudados.
27 Tu, porém, és sempre o mesmo, e os teus anos jamais terão fim.
28 Os filhos dos teus servos habitarão seguros, e diante de ti se estabelecerá a sua descendência.
Salmos 103
1 Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga ao seu santo nome.
2 Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nem um só de seus benefícios.
3 Ele é quem perdoa todas as tuas iniquidades; quem sara todas as tuas enfermidades;
4 quem da cova redime a tua vida e te coroa de graça e misericórdia;
5 quem farta de bens a tua velhice, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia.
6 O Senhor faz justiça e julga a todos os oprimidos.
7 Manifestou os seus caminhos a Moisés e os seus feitos aos filhos de Israel.
8 O Senhor é misericordioso e compassivo; longânimo e assaz benigno.
9 Não repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a sua ira.
10 Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniquidades.
11 Pois quanto o céu se alteia acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem.
12 Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões.
13 Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece dos que o temem.
14 Pois ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó.
15 Quanto ao homem, os seus dias são como a relva; como a flor do campo, assim ele floresce;
16 pois, soprando nela o vento, desaparece; e não conhecerá, daí em diante, o seu lugar.
17 Mas a misericórdia do Senhor é de eternidade a eternidade, sobre os que o temem, e a sua justiça, sobre os filhos dos filhos,
18 para com os que guardam a sua aliança e para com os que se lembram dos seus preceitos e os cumprem.
19 Nos céus, estabeleceu o Senhor o seu trono, e o seu reino domina sobre tudo.
20 Bendizei ao Senhor, todos os seus anjos, valorosos em poder, que executais as suas ordens e lhe obedeceis à palavra.
21 Bendizei ao Senhor, todos os seus exércitos, vós, ministros seus, que fazeis a sua vontade.
22 Bendizei ao Senhor, vós, todas as suas obras, em todos os lugares do seu domínio. Bendize, ó minha alma, ao Senhor.
Salmos 104
1 Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Senhor, Deus meu, como tu és magnificente: sobrevestido de glória e majestade,
2 coberto de luz como de um manto. Tu estendes o céu como uma cortina,
3 pões nas águas o vigamento da tua morada, tomas as nuvens por teu carro e voas nas asas do vento.
4 Fazes a teus anjos ventos e a teus ministros, labaredas de fogo.
5 Lançaste os fundamentos da terra, para que ela não vacile em tempo nenhum.
6 Tomaste o abismo por vestuário e a cobriste; as águas ficaram acima das montanhas;
7 à tua repreensão, fugiram, à voz do teu trovão, bateram em retirada.
8 Elevaram-se os montes, desceram os vales, até ao lugar que lhes havias preparado.
9 Puseste às águas divisa que não ultrapassarão, para que não tornem a cobrir a terra.
10 Tu fazes rebentar fontes no vale, cujas águas correm entre os montes;
11 dão de beber a todos os animais do campo; os jumentos selvagens matam a sua sede.
12 Junto delas têm as aves do céu o seu pouso e, por entre a ramagem, desferem o seu canto.
13 Do alto de tua morada, regas os montes; a terra farta-se do fruto de tuas obras.
14 Fazes crescer a relva para os animais e as plantas, para o serviço do homem, de sorte que da terra tire o seu pão,
15 o vinho, que alegra o coração do homem, o azeite, que lhe dá brilho ao rosto, e o alimento, que lhe sustém as forças.
16 Avigoram-se as árvores do Senhor e os cedros do Líbano que ele plantou,
17 em que as aves fazem seus ninhos; quanto à cegonha, a sua casa é nos ciprestes.
18 Os altos montes são das cabras montesinhas, e as rochas, o refúgio dos arganazes.
19 Fez a lua para marcar o tempo; o sol conhece a hora do seu ocaso.
20 Dispões as trevas, e vem a noite, na qual vagueiam os animais da selva.
21 Os leõezinhos rugem pela presa e buscam de Deus o sustento;
22 em vindo o sol, eles se recolhem e se acomodam nos seus covis.
23 Sai o homem para o seu trabalho e para o seu encargo até à tarde.
24 Que variedade, Senhor, nas tuas obras! Todas com sabedoria as fizeste; cheia está a terra das tuas riquezas.
25 Eis o mar vasto, imenso, no qual se movem seres sem conta, animais pequenos e grandes.
26 Por ele transitam os navios e o monstro marinho que formaste para nele folgar.
27 Todos esperam de ti que lhes dês de comer a seu tempo.
28 Se lhes dás, eles o recolhem; se abres a mão, eles se fartam de bens.
29 Se ocultas o rosto, eles se perturbam; se lhes cortas a respiração, morrem e voltam ao seu pó.
30 Envias o teu Espírito, eles são criados, e, assim, renovas a face da terra.
31 A glória do Senhor seja para sempre! Exulte o Senhor por suas obras!
32 Com só olhar para a terra, ele a faz tremer; toca as montanhas, e elas fumegam.
33 Cantarei ao Senhor enquanto eu viver; cantarei louvores ao meu Deus durante a minha vida.
34 Seja-lhe agradável a minha meditação; eu me alegrarei no Senhor.
35 Desapareçam da terra os pecadores, e já não subsistam os perversos. Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Aleluia!
Salmos 105
1 Rendei graças ao Senhor, invocai o seu nome, fazei conhecidos, entre os povos, os seus feitos.
2 Cantai-lhe, cantai-lhe salmos; narrai todas as suas maravilhas.
3 Gloriai-vos no seu santo nome; alegre-se o coração dos que buscam o Senhor.
4 Buscai o Senhor e o seu poder; buscai perpetuamente a sua presença.
5 Lembrai-vos das maravilhas que fez, dos seus prodígios e dos juízos de seus lábios,
6 vós, descendentes de Abraão, seu servo, vós, filhos de Jacó, seus escolhidos.
7 Ele é o Senhor, nosso Deus; os seus juízos permeiam toda a terra.
8 Lembra-se perpetuamente da sua aliança, da palavra que empenhou para mil gerações;
9 da aliança que fez com Abraão e do juramento que fez a Isaque;
10 o qual confirmou a Jacó por decreto e a Israel por aliança perpétua,
11 dizendo: Dar-te-ei a terra de Canaã como quinhão da vossa herança.
12 Então, eram eles em pequeno número, pouquíssimos e forasteiros nela;
13 andavam de nação em nação, de um reino para outro reino.
14 A ninguém permitiu que os oprimisse; antes, por amor deles, repreendeu a reis,
15 dizendo: Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas.
16 Fez vir fome sobre a terra e cortou os meios de se obter pão.
17 Adiante deles enviou um homem, José, vendido como escravo;
18 cujos pés apertaram com grilhões e a quem puseram em ferros,
19 até cumprir-se a profecia a respeito dele, e tê-lo provado a palavra do Senhor.
20 O rei mandou soltá-lo; o potentado dos povos o pôs em liberdade.
21 Constituiu-o senhor de sua casa e mordomo de tudo o que possuía,
22 para, a seu talante, sujeitar os seus príncipes e aos seus anciãos ensinar a sabedoria.
23 Então, Israel entrou no Egito, e Jacó peregrinou na terra de Cam.
24 Deus fez sobremodo fecundo o seu povo e o tornou mais forte do que os seus opressores.
25 Mudou-lhes o coração para que odiassem o seu povo e usassem de astúcia para com os seus servos.
26 E lhes enviou Moisés, seu servo, e Arão, a quem escolhera,
27 por meio dos quais fez, entre eles, os seus sinais e maravilhas na terra de Cam.
28 Enviou trevas, e tudo escureceu; e Moisés e Arão não foram rebeldes à sua palavra.
29 Transformou-lhes as águas em sangue e assim lhes fez morrer os peixes.
30 Sua terra produziu rãs em abundância, até nos aposentos dos reis.
31 Ele falou, e vieram nuvens de moscas e piolhos em todo o seu país.
32 Por chuva deu-lhes saraiva e fogo chamejante, na sua terra.
33 Devastou-lhes os vinhedos e os figueirais e lhes quebrou as árvores dos seus limites.
34 Ele falou, e vieram gafanhotos e saltões sem conta,
35 os quais devoraram toda a erva do país e comeram o fruto dos seus campos.
36 Também feriu de morte a todos os primogênitos da sua terra, as primícias do seu vigor.
37 Então, fez sair o seu povo, com prata e ouro, e entre as suas tribos não havia um só inválido.
38 Alegrou-se o Egito quando eles saíram, porquanto lhe tinham infundido terror.
39 Ele estendeu uma nuvem que lhes servisse de toldo e um fogo para os alumiar de noite.
40 Pediram, e ele fez vir codornizes e os saciou com pão do céu.
41 Fendeu a rocha, e dela brotaram águas, que correram, qual torrente, pelo deserto.
42 Porque estava lembrado da sua santa palavra e de Abraão, seu servo.
43 E conduziu com alegria o seu povo e, com jubiloso canto, os seus escolhidos.
44 Deu-lhes as terras das nações, e eles se apossaram do trabalho dos povos,
45 para que lhe guardassem os preceitos e lhe observassem as leis. Aleluia!
Salmos 106
1 Aleluia! Rendei graças ao Senhor, porque ele é bom; porque a sua misericórdia dura para sempre.
2 Quem saberá contar os poderosos feitos do Senhor ou anunciar os seus louvores?
3 Bem-aventurados os que guardam a retidão e o que pratica a justiça em todo tempo.
4 Lembra-te de mim, Senhor, segundo a tua bondade para com o teu povo; visita-me com a tua salvação,
5 para que eu veja a prosperidade dos teus escolhidos, e me alegre com a alegria do teu povo, e me regozije com a tua herança.
6 Pecamos, como nossos pais; cometemos iniquidade, procedemos mal.
7 Nossos pais, no Egito, não atentaram às tuas maravilhas; não se lembraram da multidão das tuas misericórdias e foram rebeldes junto ao mar, o mar Vermelho.
8 Mas ele os salvou por amor do seu nome, para lhes fazer notório o seu poder.
9 Repreendeu o mar Vermelho, e ele secou; e fê-los passar pelos abismos, como por um deserto.
10 Salvou-os das mãos de quem os odiava e os remiu do poder do inimigo.
11 As águas cobriram os seus opressores; nem um deles escapou.
12 Então, creram nas suas palavras e lhe cantaram louvor.
13 Cedo, porém, se esqueceram das suas obras e não lhe aguardaram os desígnios;
14 entregaram-se à cobiça, no deserto; e tentaram a Deus na solidão.
15 Concedeu-lhes o que pediram, mas fez definhar-lhes a alma.
16 Tiveram inveja de Moisés, no acampamento, e de Arão, o santo do Senhor.
17 Abriu-se a terra, e tragou a Datã, e cobriu o grupo de Abirão.
18 Ateou-se um fogo contra o seu grupo; a chama abrasou os ímpios.
19 Em Horebe, fizeram um bezerro e adoraram o ídolo fundido.
20 E, assim, trocaram a glória de Deus pelo simulacro de um novilho que come erva.
21 Esqueceram-se de Deus, seu Salvador, que, no Egito, fizera coisas portentosas,
22 maravilhas na terra de Cam, tremendos feitos no mar Vermelho.
23 Tê-los-ia exterminado, como dissera, se Moisés, seu escolhido, não se houvesse interposto, impedindo que sua cólera os destruísse.
24 Também desprezaram a terra aprazível e não deram crédito à sua palavra;
25 antes, murmuraram em suas tendas e não acudiram à voz do Senhor.
26 Então, lhes jurou, de mão erguida, que os havia de arrasar no deserto;
27 e também derribaria entre as nações a sua descendência e os dispersaria por outras terras.
28 Também se juntaram a Baal-Peor e comeram os sacrifícios dos ídolos mortos.
29 Assim, com tais ações, o provocaram à ira; e grassou peste entre eles.
30 Então, se levantou Fineias e executou o juízo; e cessou a peste.
31 Isso lhe foi imputado por justiça, de geração em geração, para sempre.
32 Depois, o indignaram nas águas de Meribá, e, por causa deles, sucedeu mal a Moisés,
33 pois foram rebeldes ao Espírito de Deus, e Moisés falou irrefletidamente.
34 Não exterminaram os povos, como o Senhor lhes ordenara.
35 Antes, se mesclaram com as nações e lhes aprenderam as obras;
36 deram culto a seus ídolos, os quais se lhes converteram em laço;
37 pois imolaram seus filhos e suas filhas aos demônios
38 e derramaram sangue inocente, o sangue de seus filhos e filhas, que sacrificaram aos ídolos de Canaã; e a terra foi contaminada com sangue.
39 Assim se contaminaram com as suas obras e se prostituíram nos seus feitos.
40 Acendeu-se, por isso, a ira do Senhor contra o seu povo, e ele abominou a sua própria herança
41 e os entregou ao poder das nações; sobre eles dominaram os que os odiavam.
42 Também os oprimiram os seus inimigos, sob cujo poder foram subjugados.
43 Muitas vezes os libertou, mas eles o provocaram com os seus conselhos e, por sua iniquidade, foram abatidos.
44 Olhou-os, contudo, quando estavam angustiados e lhes ouviu o clamor;
45 lembrou-se, a favor deles, de sua aliança e se compadeceu, segundo a multidão de suas misericórdias.
46 Fez também que lograssem compaixão de todos os que os levaram cativos.
47 Salva-nos, Senhor, nosso Deus, e congrega-nos de entre as nações, para que demos graças ao teu santo nome e nos gloriemos no teu louvor.
48 Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, de eternidade a eternidade; e todo o povo diga: Amém! Aleluia!
Salmos 107
1 Rendei graças ao Senhor, porque ele é bom, e a sua misericórdia dura para sempre.
2 Digam-no os remidos do Senhor, os que ele resgatou da mão do inimigo
3 e congregou de entre as terras, do Oriente e do Ocidente, do Norte e do mar.
4 Andaram errantes pelo deserto, por ermos caminhos, sem achar cidade em que habitassem.
5 Famintos e sedentos, desfalecia neles a alma.
6 Então, na sua angústia, clamaram ao Senhor, e ele os livrou das suas tribulações.
7 Conduziu-os pelo caminho direito, para que fossem à cidade em que habitassem.
8 Rendam graças ao Senhor por sua bondade e por suas maravilhas para com os filhos dos homens!
9 Pois dessedentou a alma sequiosa e fartou de bens a alma faminta.
10 Os que se assentaram nas trevas e nas sombras da morte, presos em aflição e em ferros,
11 por se terem rebelado contra a palavra de Deus e haverem desprezado o conselho do Altíssimo,
12 de modo que lhes abateu com trabalhos o coração — caíram, e não houve quem os socorresse.
13 Então, na sua angústia, clamaram ao Senhor, e ele os livrou das suas tribulações.
14 Tirou-os das trevas e das sombras da morte e lhes despedaçou as cadeias.
15 Rendam graças ao Senhor por sua bondade e por suas maravilhas para com os filhos dos homens!
16 Pois arrombou as portas de bronze e quebrou as trancas de ferro.
17 Os estultos, por causa do seu caminho de transgressão e por causa das suas iniquidades, serão afligidos.
18 A sua alma aborreceu toda sorte de comida, e chegaram às portas da morte.
19 Então, na sua angústia, clamaram ao Senhor, e ele os livrou das suas tribulações.
20 Enviou-lhes a sua palavra, e os sarou, e os livrou do que lhes era mortal.
21 Rendam graças ao Senhor por sua bondade e por suas maravilhas para com os filhos dos homens!
22 Ofereçam sacrifícios de ações de graças e proclamem com júbilo as suas obras!
23 Os que, tomando navios, descem aos mares, os que fazem tráfico na imensidade das águas,
24 esses veem as obras do Senhor e as suas maravilhas nas profundezas do abismo.
25 Pois ele falou e fez levantar o vento tempestuoso, que elevou as ondas do mar.
26 Subiram até aos céus, desceram até aos abismos; no meio destas angústias, desfalecia-lhes a alma.
27 Andaram, e cambalearam como ébrios, e perderam todo tino.
28 Então, na sua angústia, clamaram ao Senhor, e ele os livrou das suas tribulações.
29 Fez cessar a tormenta, e as ondas se acalmaram.
30 Então, se alegraram com a bonança; e, assim, os levou ao desejado porto.
31 Rendam graças ao Senhor por sua bondade e por suas maravilhas para com os filhos dos homens!
32 Exaltem-no também na assembleia do povo e o glorifiquem no conselho dos anciãos.
33 Ele converteu rios em desertos e mananciais, em terra seca;
34 terra frutífera, em deserto salgado, por causa da maldade dos seus habitantes.
35 Converteu o deserto em lençóis de água e a terra seca, em mananciais.
36 Estabeleceu aí os famintos, os quais edificaram uma cidade em que habitassem.
37 Semearam campos, e plantaram vinhas, e tiveram fartas colheitas.
38 Ele os abençoou, de sorte que se multiplicaram muito; e o gado deles não diminuiu.
39 Mas tornaram a reduzir-se e foram humilhados pela opressão, pela adversidade e pelo sofrimento.
40 Lança ele o desprezo sobre os príncipes e os faz andar errantes, onde não há caminho.
41 Mas levanta da opressão o necessitado, para um alto retiro, e lhe prospera famílias como rebanhos.
42 Os retos veem isso e se alegram, mas o ímpio por toda parte fecha a boca.
43 Quem é sábio atente para essas coisas e considere as misericórdias do Senhor.
Salmos 108
1 Firme está o meu coração, ó Deus! Cantarei e entoarei louvores de toda a minha alma.
2 Despertai, saltério e harpa! Quero acordar a alva.
3 Render-te-ei graças entre os povos, ó Senhor! Cantar-te-ei louvores entre as nações.
4 Porque acima dos céus se eleva a tua misericórdia, e a tua fidelidade, para além das nuvens.
5 Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; e em toda a terra esplenda a tua glória,
6 para que os teus amados sejam livres; salva com a tua destra e responde-nos.
7 Disse Deus na sua santidade: Exultarei; dividirei Siquém e medirei o vale de Sucote.
8 Meu é Gileade, meu é Manassés; Efraim é a defesa de minha cabeça; Judá é o meu cetro.
9 Moabe, porém, é a minha bacia de lavar; sobre Edom atirarei a minha sandália; sobre a Filístia jubilarei.
10 Quem me conduzirá à cidade fortificada? Quem me guiará até Edom?
11 Não nos rejeitaste, ó Deus? Tu não sais, ó Deus, com os nossos exércitos!
12 Presta-nos auxílio na angústia, pois vão é o socorro do homem.
13 Em Deus faremos proezas, porque ele mesmo calca aos pés os nossos adversários.
Salmos 109
1 Ó Deus do meu louvor, não te cales!
2 Pois contra mim se desataram lábios maldosos e fraudulentos; com mentirosa língua falam contra mim.
3 Cercam-me com palavras odiosas e sem causa me fazem guerra.
4 Em paga do meu amor, me hostilizam; eu, porém, oro.
5 Pagaram-me o bem com o mal; o amor, com ódio.
6 Suscita contra ele um ímpio, e à sua direita esteja um acusador.
7 Quando o julgarem, seja condenado; e, tida como pecado, a sua oração.
8 Os seus dias sejam poucos, e tome outro o seu encargo.
9 Fiquem órfãos os seus filhos, e viúva, a sua esposa.
10 Andem errantes os seus filhos e mendiguem; e sejam expulsos das ruínas de suas casas.
11 De tudo o que tem, lance mão o usurário; do fruto do seu trabalho, esbulhem-no os estranhos.
12 Ninguém tenha misericórdia dele, nem haja quem se compadeça dos seus órfãos.
13 Desapareça a sua posteridade, e na seguinte geração se extinga o seu nome.
14 Na lembrança do Senhor, viva a iniquidade de seus pais, e não se apague o pecado de sua mãe.
15 Permaneçam ante os olhos do Senhor, para que faça desaparecer da terra a memória deles.
16 Porquanto não se lembrou de usar de misericórdia, mas perseguiu o aflito e o necessitado, como também o quebrantado de coração, para os entregar à morte.
17 Amou a maldição; ela o apanhe; não quis a bênção; aparte-se dele.
18 Vestiu-se de maldição como de uma túnica: penetre, como água, no seu interior e nos seus ossos, como azeite.
19 Seja-lhe como a roupa que o cobre e como o cinto com que sempre se cinge.
20 Tal seja, da parte do Senhor, o galardão dos meus contrários e dos que falam mal contra a minha alma.
21 Mas tu, Senhor Deus, age por mim, por amor do teu nome; livra-me, porque é grande a tua misericórdia.
22 Porque estou aflito e necessitado e, dentro de mim, sinto ferido o coração.
23 Vou passando, como a sombra que declina; sou atirado para longe, como um gafanhoto.
24 De tanto jejuar, os joelhos me vacilam, e de magreza vai mirrando a minha carne.
25 Tornei-me para eles objeto de opróbrio; quando me veem, meneiam a cabeça.
26 Socorre, Senhor, Deus meu! Salva-me segundo a tua misericórdia.
27 Para que saibam vir isso das tuas mãos; que tu, Senhor, o fizeste.
28 Amaldiçoem eles, mas tu, abençoa; sejam confundidos os que contra mim se levantam; alegre-se, porém, o teu servo.
29 Cubram-se de ignomínia os meus adversários, e a sua própria confusão os envolva como uma túnica.
30 Muitas graças darei ao Senhor com os meus lábios; louvá-lo-ei no meio da multidão;
31 porque ele se põe à direita do pobre, para o livrar dos que lhe julgam a alma.
Salmos 110
1 Disse o Senhor ao meu senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés.
2 O Senhor enviará de Sião o cetro do seu poder, dizendo: Domina entre os teus inimigos.
3 Apresentar-se-á voluntariamente o teu povo, no dia do teu poder; com santos ornamentos, como o orvalho emergindo da aurora, serão os teus jovens.
4 O Senhor jurou e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.
5 O Senhor, à tua direita, no dia da sua ira, esmagará os reis.
6 Ele julga entre as nações; enche-as de cadáveres; esmagará cabeças por toda a terra.
7 De caminho, bebe na torrente e passa de cabeça erguida.
Salmos 111
1 Aleluia! De todo o coração renderei graças ao Senhor, na companhia dos justos e na assembleia.
2 Grandes são as obras do Senhor, consideradas por todos os que nelas se comprazem.
3 Em suas obras há glória e majestade, e a sua justiça permanece para sempre.
4 Ele fez memoráveis as suas maravilhas; benigno e misericordioso é o Senhor.
5 Dá sustento aos que o temem; lembrar-se-á sempre da sua aliança.
6 Manifesta ao seu povo o poder das suas obras, dando-lhe a herança das nações.
7 As obras de suas mãos são verdade e justiça; fiéis, todos os seus preceitos.
8 Estáveis são eles para todo o sempre, instituídos em fidelidade e retidão.
9 Enviou ao seu povo a redenção; estabeleceu para sempre a sua aliança; santo e tremendo é o seu nome.
10 O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; revelam prudência todos os que o praticam. O seu louvor permanece para sempre.
Salmos 112
1 Aleluia! Bem-aventurado o homem que teme ao Senhor e se compraz nos seus mandamentos.
2 A sua descendência será poderosa na terra; será abençoada a geração dos justos.
3 Na sua casa há prosperidade e riqueza, e a sua justiça permanece para sempre.
4 Ao justo, nasce luz nas trevas; ele é benigno, misericordioso e justo.
5 Ditoso o homem que se compadece e empresta; ele defenderá a sua causa em juízo;
6 não será jamais abalado; será tido em memória eterna.
7 Não se atemoriza de más notícias; o seu coração é firme, confiante no Senhor.
8 O seu coração, bem firmado, não teme, até ver cumprido, nos seus adversários, o seu desejo.
9 Distribui, dá aos pobres; a sua justiça permanece para sempre, e o seu poder se exaltará em glória.
10 O perverso vê isso e se enraivece; range os dentes e se consome; o desejo dos perversos perecerá.
Salmos 113
1 Aleluia! Louvai, servos do Senhor, louvai o nome do Senhor.
2 Bendito seja o nome do Senhor, agora e para sempre.
3 Do nascimento do sol até ao ocaso, louvado seja o nome do Senhor.
4 Excelso é o Senhor, acima de todas as nações, e a sua glória, acima dos céus.
5 Quem há semelhante ao Senhor, nosso Deus, cujo trono está nas alturas,
6 que se inclina para ver o que se passa no céu e sobre a terra?
7 Ele ergue do pó o desvalido e do monturo, o necessitado,
8 para o assentar ao lado dos príncipes, sim, com os príncipes do seu povo.
9 Faz que a mulher estéril viva em família e seja alegre mãe de filhos. Aleluia!
Salmos 114
1 Quando saiu Israel do Egito, e a casa de Jacó, do meio de um povo de língua estranha,
2 Judá se tornou o seu santuário, e Israel, o seu domínio.
3 O mar viu isso e fugiu; o Jordão tornou atrás.
4 Os montes saltaram como carneiros, e as colinas, como cordeiros do rebanho.
5 Que tens, ó mar, que assim foges? E tu, Jordão, para tornares atrás?
6 Montes, por que saltais como carneiros? E vós, colinas, como cordeiros do rebanho?
7 Estremece, ó terra, na presença do Senhor, na presença do Deus de Jacó,
8 o qual converteu a rocha em lençol de água e o seixo, em manancial.
Salmos 115
1 Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade.
2 Por que diriam as nações: Onde está o Deus deles?
3 No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada.
4 Prata e ouro são os ídolos deles, obra das mãos de homens.
5 Têm boca e não falam; têm olhos e não veem;
6 têm ouvidos e não ouvem; têm nariz e não cheiram.
7 Suas mãos não apalpam; seus pés não andam; som nenhum lhes sai da garganta.
8 Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem e quantos neles confiam.
9 Israel confia no Senhor; ele é o seu amparo e o seu escudo.
10 A casa de Arão confia no Senhor; ele é o seu amparo e o seu escudo.
11 Confiam no Senhor os que temem o Senhor; ele é o seu amparo e o seu escudo.
12 De nós se tem lembrado o Senhor; ele nos abençoará; abençoará a casa de Israel, abençoará a casa de Arão.
13 Ele abençoa os que temem o Senhor, tanto pequenos como grandes.
14 O Senhor vos aumente bênçãos mais e mais, sobre vós e sobre vossos filhos.
15 Sede benditos do Senhor, que fez os céus e a terra.
16 Os céus são os céus do Senhor, mas a terra, deu-a ele aos filhos dos homens.
17 Os mortos não louvam o Senhor, nem os que descem à região do silêncio.
18 Nós, porém, bendiremos o Senhor, desde agora e para sempre. Aleluia!
